A vista da Máscara | Danielle Noronha

Curadoria: Epicentro Cultural
Vernissage: 12 de junho às 19h

Exposição: 12 de junho a 17 de julho de 2015
Visitação: seg a sex das 12h às 19h
Epicentro Cultural
Rua Paulistânia, 66, 05440-000 São Paulo
Realização: Epicentro Cultura + Galeria Mezanino
Projeto apoiado pelo Governo do Estado de São Paulo / Secretaria de Estado da Cultura – Programa de Ação Cultural 2015

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O único animal capaz de produzir narrativas ficcionais e imagens é o homem. Acredita-se que este impulso inventivo que cria formas que não existem na natureza se atribui à nossa capacidade de sonhar e à imaginação. A transposição de imagens do ambiente onírico à realidade é uma necessidade inerente e exclusiva da espécie humana.

Através do ato criador tomamos contato com versões da realidade onde se torna possível a realização de desejos, impulsos e experiências conscientes. Na obra de Danielle Noronha, as fronteiras entre realidade e ficção não são (e não precisam ser) rigorosamente delimitadas: aquilo que pertence ao universo do mito, do sonho, da narrativa literária e cinematográfica integra efetivamente o entorno tangível da artista, de forma concreta e indissociável.

Especula-se que o ímpeto criativo dos seres humanos da pré-história, materializado em pinturas rupestres, incisões e representações de animais, possuía cunho ritualístico e mágico, vinculado à caça e a fertilidade. Na obra de Danielle esta hipótese basta. A artista afirma: “Eu não sei porque esses homens criavam essas imagens, mas sinto que eu as crio pelo mesmo motivo”.

A artista se apodera de formas de representação primitivas e relatos da antiguidade, trazendo consigo a carga da mulher primordial, da personagem mitológica, na pele da criadora e da criação. Ao partir do princípio do registro do homem sobre o mundo, Danielle Noronha também lança novas e renovadas fundações sobre sua própria história como escultora, pintora e gravurista.

Através do ato de vestir uma máscara a artista nos convida a existir num espaço fora do tempo, onde a história do mundo e a história do indivíduo são exatamente a mesma história. Vestir a máscara é perder a cabeça, a identidade, os vícios e convenções sociais, abrindo meios de identificação de si com os aspectos atemporais do gênero humano.